
Jogou todas as cartas fora, não queria mais se incomodar com lembranças.
Aquele gosto de vinho barato também foi deixado de lado, o paladar havia sido banhado com um toque de requinte.
Não queria mais andar pelos mesmos caminhos, muito menos encontrar as mesmas pessoas e fazer aquela pergunta tão banal: Tudo bem?
Ninguém quer saber se o outro está bem. Muito mais fácil então dizer um singelo "oi", além de não mostrar indiferença não esbanja falsa preocupação. Hipocresia é deixada de lado fazendo desse jeito.
Mudou seu guarda-roupa, agora não importa mais o que veste, mas sim se é confortável ou não.
Manda beijo para flores, abraça árvores, pode não ter muito sentido para quem vê, mas para quem faz é apenas um gesto nada rotineiro.
Mudar a rotina faz parte da vida de uma pessoa que resolve viver o hoje sem pensar burocraticamente no amanhã.
Não pergunte as horas, é uma maneira bem fácil de perder mais tempo ainda.
Preocupações já não tem mais lugar essa é uma outra maneira de perder tempo.
Todos os dias quer engolir o mundo como se nunca mais fosse saborear a aurora da manhã.
Foda-se a felicidade alheia, a única pessoa que merece ter a felicidade prestigiada é a própria pessoa.
Evita-se também o falso moralismo e julgamentos. Mas isso já é evitado quando mandamos o mundo se foder.
Dizer o que pensa é uma maneira deliciosa de tirar de si o peso do "achismo".
Abra a boca e feche os olhos, todos os sabores são bem vindos, até mesmo os amargos.
Rir, ridicularmente rir. Quando vemos alguém rindo demais achamos ridículo, mas como não liga para o que as outras pessoas falam, quer mais é ser ridículo.
Quer mais é ser ridículo, ser louco, ser despreocupado, ser solto, ser livre, ser ele sem nenhuma máscara, quer mais é ser feliz. Quer mais é andar por aí, chutando as pedras e balançando os braços, sem nenhum por quê e sem nenhum porem.